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Amargos
regressos
Luciana
Villar
Assessoria de Comunicação
Social CCJF
Tels. (21) 3261-2576 / 3261-2558
imprensa.ccjf@trf2.gov.br
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O CCJF
encerrou sua primeira semana de participação
no Festival do Rio 2005 confirmando a tendência
dos documentários como gênero mais que
útil para a propagação de cinematografias
para lá de periféricas. Graças ao regime
de co-produção, a singularidade de duas raríssimas
presenças pôde ser conferida pelo público
das seções da última quinta-feira: Bangladesh,
com As pessoas mais felizes do mundo, e o
Iraque, representado por De volta à terra das
maravilhas. Embora muito
diferentes na forma e no conteúdo, os dois filmes
têm em comum o fato de sua realização
exigir o retorno, ainda que temporário, aos países
de origem de seus diretores: o bengalês Shaheen Dill-Riaz
e a iraquiana Maysoon Pachachi. A inspiração
para o roteiro de Shaheen foi a conclusão de um estudo
da London School of Economics, segundo o qual as
pessoas mais felizes do mundo vivem em Bangladesh. Já
Maysoon serviu-se da câmera para registrar a participação
do pai, o diplomata Adnan Pachachi, no comitê responsável
pela redação da Constituição
transitória iraquiana.
A confrontação entre o lirismo
dos títulos e a dura realidade retratada em ambas
as produções poderia supor uma certa ironia.
Mas o que se vê diante
da tela é o contrário. Os diretores não
querem provar que Bangladesh é infeliz ou que o Iraque
não seja maravilhoso. Mas conseguem mostrar o quanto
de relativo jaz nas acepções de felicidade
e maravilha, além, é claro, de toda a carga
de complexidade histórica que envolve essas sociedades.
Mundo
cão
Os dramas vividos pelos personagens são tão
universais que a empatia
com os mesmos se torna praticamente imediata. Em As
pessoas mais feli-zes do mundo são colhidos
os relatos de quatro pessoas, cujas vidas foram plasmadas
ora pela exclusão econômica, própria
da ordem neoliberal, ora pe-los imperativos da opressão
religiosa. Já De volta à terra das
maravilhas mostra o quanto decisões tomadas
no epicentro político do planeta podem definir o
destino de toda uma população civil, encarcerada
em seu próprio país por uma guerra da qual
não podem se defender, mas também não
desejam contra-atacar.
Após assistir aos dois filmes,
resta a conclusão – inevitável –
de que a liber-dade e a autodeterminação ainda
são um luxo para a maioria esmagadora
da humanidade. E de que o documentário é o
gênero cinematográfico mais propenso à
transformação da realidade, justamente pela
profunda intimidade que mantém com ela. |
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