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Amargos regressos
Luciana Villar
Assessoria de Comunicação Social CCJF
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O CCJF encerrou sua primeira semana de participação no Festival do Rio 2005 confirmando a tendência dos documentários como gênero mais que
útil para a propagação de cinematografias para lá de periféricas. Graças ao regime de co-produção, a singularidade de duas raríssimas presenças pôde ser conferida pelo público das seções da última quinta-feira: Bangladesh, com As pessoas mais felizes do mundo, e o Iraque, representado por De volta à terra das maravilhas.

Embora muito diferentes na forma e no conteúdo, os dois filmes têm em comum o fato de sua realização exigir o retorno, ainda que temporário, aos países de origem de seus diretores: o bengalês Shaheen Dill-Riaz e a iraquiana Maysoon Pachachi. A inspiração para o roteiro de Shaheen foi a conclusão de um estudo da London School of Economics, segundo o qual as pessoas mais felizes do mundo vivem em Bangladesh. Já Maysoon serviu-se da câmera para registrar a participação do pai, o diplomata Adnan Pachachi, no comitê responsável pela redação da Constituição transitória iraquiana.

A confrontação entre o lirismo dos títulos e a dura realidade retratada em ambas as produções poderia supor uma certa ironia. Mas o que se vê diante
da tela é o contrário. Os diretores não querem provar que Bangladesh é infeliz ou que o Iraque não seja maravilhoso. Mas conseguem mostrar o quanto de relativo jaz nas acepções de felicidade e maravilha, além, é claro, de toda a carga de complexidade histórica que envolve essas sociedades.

Mundo cão
Os dramas vividos pelos personagens são tão universais que a empatia
com os mesmos se torna praticamente imediata. Em As pessoas mais feli-zes do mundo são colhidos os relatos de quatro pessoas, cujas vidas foram plasmadas ora pela exclusão econômica, própria da ordem neoliberal, ora pe-los imperativos da opressão religiosa. Já De volta à terra das maravilhas mostra o quanto decisões tomadas no epicentro político do planeta podem definir o destino de toda uma população civil, encarcerada em seu próprio país por uma guerra da qual não podem se defender, mas também não desejam contra-atacar.

Após assistir aos dois filmes, resta a conclusão – inevitável – de que a liber-dade e a autodeterminação ainda são um luxo para a maioria esmagadora
da humanidade. E de que o documentário é o gênero cinematográfico mais propenso à transformação da realidade, justamente pela profunda intimidade que mantém com ela.

 
 
 
 
 
 

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