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A cantora Ellen de Lima
Eterna cantora do rádio mais viva do que nunca
Tereza Cardoso*
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Ellen de Lima nasceu Helenice Teresinha, na Bahia, e mudou-se dois anos mais tarde com o pai, a mãe e a irmã mais velha para o Rio de Janeiro. Foi aqui que ela, aos tenros oito anos de idade, participou do programa de calouros Papel Carbono, comandado por Renato Murse, na Rádio Nacional, imitando Heleninha Costa. Saiu vitoriosa do concurso, e deparou-se assim com a carreira que assumiria ao longo de toda vida. “Minha mãe gostava muito de cantar e isso me influenciava”, conta ela, tentando saber a origem do talento que então se revelava na família.

Era o início dos anos 50, e Ellen volta à Rádio Nacional, no Programa César de Alencar, e dá os primeiros passos para confirmar sua vocação. Já em 1951, era sagrada Rainha do Rádio, dando início a uma coleção de faixas, títulos e troféus que a consagrariam ao longo de toda a sua trajetória: Rainha dos Músicos, Madrinha da Polícia Rodoviária Federal, Princesa do Rádio, Cidadã Carioca, Comendadora da República, Princesa do Carnaval, entre outros.

Foi em 1954 que ela assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga e passou a se dividir em apresentações entre o Rio e São Paulo. Era o ano em que a Columbia se estabelecia no país, e Ellen torna-se um dos primeiros artistas contratados pela gravadora norte-americana. Lança então o primeiro disco, com o samba-canção Até você, de Armando Nunes, de um lado, e do outro o slow-fox Melancolia, na versão de Capitão Furtado. Mas o sucesso viria mesmo três anos mais tarde, com o lançamento do LP Ellen e o bolero de Fernando César, Vício, que se tornou o carro-chefe de sua carreira fonográfica.

Nos anos 60, Ellen de Lima foi locutora e apresentadora da Rádio Nacional, fez rádio-novelas, atuou em teatro, ao lado de Jardel Mello, na antiga TV Continental, e foi até atriz-cantora da então recém-inaugurada TV Globo, quando contracenou com Fernanda Montenegro e Sérgio Brito. Ao lado de Haroldo Costa e das Irmãs Marinho, Ellen brilhou nos salões do Copacabana Palace, reduto de celebridades da época. E é no próprio Golden Room que a cantora deixou sua marca, como intérprete oficial da Canção das Misses, o consagrado tema musical dos concursos de Miss Brasil, muitos deles realizados no charmoso hotel da Avenida Atlântica.

Cantoras eternas
A partir de 1988, Ellen passa a integrar o grupo “As eternas cantoras do rádio”, juntamente com Carmélia Alves, Violeta Cavalcante, Ademilde Fonseca, além de Nora Ney, Zezé Gonzaga e Rosita Gonzales. Três cds resultaram do encontro, que dá frutos até os dias atuais. Em 2001, no Teatro Café Arena, no Rio, o espetáculo As cantoras do rádio: Estão voltando as flores, dirigido pelo pesquisador Ricardo Cravo Albin, ficou vários meses em cartaz e acabou gravado pela Som Livre. O show voltou ao cartaz no Teatro Ipanema, em 2003, e no ano seguinte o grupo participou de homenagem à falecida Nora Ney e ao eterno Lamartine. "No convívio com Ellen, ao longo de cinco anos nos espetáculos Estão voltando as flores e Tra-la-lá, acostumei-me a ver nela uma das divas da era do rádio. E mais: uma grande cantora, de memória prodigiosa, além de diversidade encantadora e eficaz ao encarar qualquer gênero musical. Dela se pode afirmar ser uma intérprete completa, o que é uma raridade”, afirmou Cravo Albin sobre a personalidade musical da cantora.

Ai, Jisus!
Ellen não gravou muitos discos. Sua carreira pautou-se principalmente nas apresentações ao vivo em boates e casas de espetáculos, inclusive no Cassino Estoril, em Lisboa, onde a cantora obteve enorme sucesso nos anos 70. O charme de uma mulata alta, bonita e talentosa arrebatava fãs de todas as idades. E despertava calorosas paixões como a do português Valentin de Almeida, dono do restaurante O Galo, em Copacabana, que não só tornou-se um fã incondicional como conduziu-a ao altar em 30 de maio de 1970, dando início a um enlace que já dura 36 anos e permanece inabalável.

Do casamento nasceram Rodrigo, Isabela e Carlos Gustavo, e junto com eles a consolidação do talento familiar. Rodrigo Almeida acaba de ganhar um concurso de calouros numa tevê de Madri com sua “Dança d´El Moreno”, um suingue bem carioca que ele leva com trejeitos de passista, e que fez a platéia madrilenha estremecer e a mamãe Ellen babar de orgulho. Carlos Gustavo, o caçula, vai pelo mesmo caminho, e já foi se juntar ao irmão na Espanha, determinado ao sucesso.

 

*Produção do Projeto Vida e Cultura

 
 
 
 
 
 

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