|
|

A cantora Ellen de Lima
|
Eterna
cantora do rádio mais viva do que nunca
Tereza
Cardoso*
Assessoria de Comunicação
Social CCJF
Tels. (21) 3261-2576 / 3261-2558
imprensa.ccjf@trf2.gov.br |
Ellen de Lima nasceu Helenice Teresinha,
na Bahia, e mudou-se dois anos mais tarde com o pai, a mãe
e a irmã mais velha para o Rio de Janeiro. Foi aqui
que ela, aos tenros oito anos de idade, participou do programa
de calouros Papel Carbono, comandado por Renato
Murse, na Rádio Nacional, imitando Heleninha Costa.
Saiu vitoriosa do concurso, e deparou-se assim com a carreira
que assumiria ao longo de toda vida. “Minha mãe
gostava muito de cantar e isso me influenciava”, conta
ela, tentando saber a origem do talento que então
se revelava na família.
Era o início dos anos 50,
e Ellen volta à Rádio Nacional, no Programa
César de Alencar, e dá os primeiros
passos para confirmar sua vocação. Já
em 1951, era sagrada Rainha do Rádio, dando início
a uma coleção de faixas, títulos e
troféus que a consagrariam ao longo de toda a sua
trajetória: Rainha dos Músicos, Madrinha da
Polícia Rodoviária Federal, Princesa do Rádio,
Cidadã Carioca, Comendadora da República,
Princesa do Carnaval, entre outros.
Foi em 1954 que ela assinou contrato
com a Rádio Mayrink Veiga e passou a se dividir em
apresentações entre o Rio e São Paulo.
Era o ano em que a Columbia se estabelecia no país,
e Ellen torna-se um dos primeiros artistas contratados pela
gravadora norte-americana. Lança então o primeiro
disco, com o samba-canção Até você,
de Armando Nunes, de um lado, e do outro o slow-fox Melancolia,
na versão de Capitão Furtado. Mas o sucesso
viria mesmo três anos mais tarde, com o lançamento
do LP Ellen e o bolero de Fernando César,
Vício, que se tornou o carro-chefe de sua
carreira fonográfica.
Nos
anos 60, Ellen de Lima foi locutora e apresentadora da Rádio
Nacional, fez rádio-novelas, atuou em teatro, ao
lado de Jardel Mello, na antiga TV Continental, e foi até
atriz-cantora da então recém-inaugurada TV
Globo, quando contracenou com Fernanda Montenegro e Sérgio
Brito. Ao lado de Haroldo Costa e das Irmãs Marinho,
Ellen brilhou nos salões do Copacabana Palace, reduto
de celebridades da época. E é no próprio
Golden Room que a cantora deixou sua marca, como intérprete
oficial da Canção das Misses, o consagrado
tema musical dos concursos de Miss Brasil, muitos deles
realizados no charmoso hotel da Avenida Atlântica.
Cantoras eternas
A partir de 1988, Ellen passa a integrar o grupo “As
eternas cantoras do rádio”, juntamente com
Carmélia Alves, Violeta Cavalcante, Ademilde Fonseca,
além de Nora Ney, Zezé Gonzaga e Rosita Gonzales.
Três cds resultaram do encontro, que dá frutos
até os dias atuais. Em 2001, no Teatro Café
Arena, no Rio, o espetáculo As cantoras do rádio:
Estão voltando as flores, dirigido pelo pesquisador
Ricardo Cravo Albin, ficou vários meses em cartaz
e acabou gravado pela Som Livre. O show voltou ao cartaz
no Teatro Ipanema, em 2003, e no ano seguinte o grupo participou
de homenagem à falecida Nora Ney e ao eterno Lamartine.
"No convívio com Ellen, ao longo de cinco anos
nos espetáculos Estão voltando as flores
e Tra-la-lá, acostumei-me a ver nela uma
das divas da era do rádio. E mais: uma grande cantora,
de memória prodigiosa, além de diversidade
encantadora e eficaz ao encarar qualquer gênero musical.
Dela se pode afirmar ser uma intérprete completa,
o que é uma raridade”, afirmou Cravo Albin
sobre a personalidade musical da cantora.
Ai, Jisus!
Ellen não gravou muitos discos. Sua carreira
pautou-se principalmente nas apresentações
ao vivo em boates e casas de espetáculos, inclusive
no Cassino Estoril, em Lisboa, onde a cantora obteve enorme
sucesso nos anos 70. O charme de uma mulata alta, bonita
e talentosa arrebatava fãs de todas as idades. E
despertava calorosas paixões como a do português
Valentin de Almeida, dono do restaurante O Galo, em Copacabana,
que não só tornou-se um fã incondicional
como conduziu-a ao altar em 30 de maio de 1970, dando início
a um enlace que já dura 36 anos e permanece inabalável.
Do casamento nasceram Rodrigo, Isabela
e Carlos Gustavo, e junto com eles a consolidação
do talento familiar. Rodrigo Almeida acaba de ganhar um
concurso de calouros numa tevê de Madri com sua “Dança
d´El Moreno”, um suingue bem carioca que ele
leva com trejeitos de passista, e que fez a platéia
madrilenha estremecer e a mamãe Ellen babar de orgulho.
Carlos Gustavo, o caçula, vai pelo mesmo caminho,
e já foi se juntar ao irmão na Espanha, determinado
ao sucesso.
*Produção do Projeto
Vida e Cultura
|
|